[Projeto] “The Shard” – O palácio de cristal de Renzo Piano

“The Shard” foi projetado pelo arquiteto Renzo Piano, publicamente inaugurado em julho de 2012, mesmo com os trabalhos de adaptações no interior que só finalizarão em 2013. Em sua inauguração que coincidiu com os Jogos Olímpicos na cidade, houve um show de lasers e trinta projetores fluíram por toda a cidade, criando uma rede junto com outros 15 marcos de Londres, como o Gherkin, O London Eye, Tate Modern e a Tower Bridge.

Esta “cidade vertical de vidro” possui 95 pisos, sendo 72 habitáveis e mais de 100 mil m² de área útil, ocupados por escritórios e áreas corporativas, com exceção dos andares superiores, dedicados aos apartamentos residenciais (vendidos entre 46 a 62 milhões de euros), 3 andares de restaurantes, além do luxuoso Shangri-La Hotel, o primeiro da cidade.

Considerado atualmente o mais alto edifício da União Europeia, o “The Shard” foi desenvolvido com cerca de 11 mil painéis de vidro e angulados com a utilidade de refletir a luz natural e as formas padrões do céu. Tais painéis são transparentes e deixam visíveis toda a estrutura metálica da obra. O edifício também tem uma vista dedicada à Catedral de St. Pauls, algo que foi pedido desde o início do planejamento pelo prefeito londrino.

O arranha-céu é alvo de muita polêmica: seu critério estético não é consensual e críticos defendem que sua forma piramidal e a silhueta monolítica descaracterizam uma das mais icônicas zonas londrinas. Para o crítico de arte do Guardian’s Jonathan Jones, o edifício é “arrogante e grotescamente fora de escala com outros marcos de Londres.” Até a UNESCO contestou o projeto, alegando que esconderia o patrimônio histórico londrino, principalmente, a Catedral de St. Pauls. Porém, há 12 anos atrás, o governo britânico publicou a “Urban White Paper” encorajando o desenvolvimento de projetos de alta densidade em lugares estratégicos de trânsito e só após 3 anos o governo londrino aprovou o projeto “The Shard”, que em 2008 teve até financiadores do Qatar envolvidos. A construção foi iniciada em março de 2009 e finalizada em abril de 2012.

O arquiteto Renzo Piano não se sentiu muito confortável com o projeto no início, mesmo sendo o autor de arranha-céus famosos como o de Sydney (2000) e o de Berlim (1997). “Frequentemente arranha-céus são símbolos de arrogância e poder. São demonstrações de ser o maior, o mais alto, o mais poderoso.”, diz o arquiteto que gostaria de projetar algo muito além disso: “É uma expressão física da energia no lugar mais movimentado de Londres. É uma pequena cidade que está ativa 24 horas por dia.”

Segundo entrevistas, o arquiteto teve como inspiração os mastros de navios e pináculos de igrejas. Piano deu este apelido “The shard” por acidente, enquanto descrevia a obra em uma conferência pública dizendo “a shard…a shard of crystal” (“um caco…um caco de cristal”).

Piano também desejou que o edifício fosse diferente de todos os outros, opacos e misteriosos e queria que este fosse transparente, ao pé da letra. Como já dito, todo o edifício é revestido de paineis de vidro que refletem o céu. “O edifício é uma expressão do tempo em Londres, mudando todo o tempo. Joga com as nuvens e flerta com a luz”, diz o arquiteto com seu típico tom poético.

Estruturalmente, o “The Shard” empilha diferentes sistemas: fundação de concreto, seguida de estruturas de aço para os andares de escritórios e áreas públicas do hotel, seguida de outras estruturas de concreto para os quartos do hotel e apartamentos residenciais e, finalmente, estruturas de aço nas galerias de observação e áreas não ocupadas no topo. No início, foi usado um processo que iniciou com uma plataforma de concreto no nível do solo onde o edifício já foi sendo construído para cima, simultaneamente com a fundação sendo erguida logo abaixo a plataforma. Esse processo acelerou em 6 meses a construção, mas aumentou muito os custos.

Para quem está no interior, não fica claro que o edifício é de uso-misto: há elevadores exclusivos para os escritórios e outros para os apartamentos, hotel e observatório. Cada um dos elevadores também tem saídas diferentes, sendo uma delas no nível da estação de trem e a outra um nível abaixo da estação.

Mesmo com o trabalho de ter características únicas e motivo de muitas críticas, o “The Shard” não deixa de ser uma presença marcante e distinta no skyline londrino. É realmente motivo de grande atração pública, turística e, claro, de status – principalmente para os residentes nos andares de apartamentos.

Abaixo segue a ficha técnica do “The Shard”, seguida de algumas fotos e desenhos do edifício e, por último, um vídeo muito interessante feito no estilo timelapse (junção de fotos sequenciais) onde podemos ter uma ótima noção do efeito que os paineis refletindo o céu londrindo e da diferença de gabarito da obra contra a tradicional Londres.

A vista 360 do topo do edifício pode ser acessada aqui: http://www.the-shard.com/views/360.html

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FICHA TÉCNICA

Finalização: Julho, 2012 (infraestrutura básica); 2013 (adaptação de interiores)
Custo: US$729 milhões (infraestrutura básica)
Altura: 310 m
Divisão (em andares): 27 para escritórios, 3 para restaurantes, 19 para Shangri-La Hotel, 13 para apartamentos, 5 para galerias de observação interna e externa.
Proprietários: Sella Property Group + Estado do Qatar
Site oficial: http://the-shard.com/

Arquitetura:

Arquiteto responsável: Renzo Piano (Renzo Piano Building Workshop)
Arquitetos parceiros: Joost Moolhuijzen, William Matthews

Engenharia e estrutura:

Construção: Turner & Townsend (execução por Mace)
Engenharia MEP – Mechanical/Electrical/Plumbing (Mecânica, elétrica e hidráulica): Arup
Projeto Estrutural: WSP Cantor Seinuk
Estrutura de concreto: Byrne Brothers
Estrutura de aço: Severfield Rowen
Transporte vertical: Lerch Bates

Interiores:

Revestimentos de parede: Mármore Calacatta Apuano (Fornecido por Savema Spa/Instalado por Grant of Shoreditch) + lobbies de elevadores em gesso polido Amourcoat.
Pisos e azulejos: Granito Flamed Kuppan verde (para áreas públicas)
Móveis da recepção: Eames chairs (Vitra)

Iluminação:

Iluminação interior: Luminárias LED iGuzzini e DAL
Iluminação exterior: Luminárias iGuzzini

Sustentabilidade:

Sistema 1.1 Mw CHP (sigla de “Combined Heat and Power”)
Sistema de fachada eficiente (Valor G 0,12)
Equipamentos de última geração MEP (sigla de “Mechanical Electrial and Plumbing”)
Emissão de CO² – 28 kg/m²

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